ESTAVA EM CASA E ESPERAVA QUE A CHUVA VIESSE de Jean-Luc Lagarce

ESTAVA EM CASA E ESPERAVA QUE A CHUVA VIESSE de Jean-Luc Lagarce fotografia de Jorge Gonçalves

Fotografia © Jorge Gonçalves

ESTAVA EM CASA E ESPERAVA QUE A CHUVA VIESSE de Jean-Luc Lagarce Tradução Alexandra Moreira da Silva Com Antónia Terrinha, Gracinda Nave, Maria Jorge, Raquel Montenegro e Sofia Fialho Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves com um quadro de Pedro Chorão Assistência de cenografia Francisco Silva Luz Pedro Domingos Som André Pires  Montagem Diana dos Santos e Lucas Domingos Direcção de cena Helder Bráz Operação Lucas Domingos Assistência de encenação Joana Pajuelo Encenação Andreia Bento M12

No Teatro da Politécnica de 21 Setembro a 21 de Outubro de 2023

A FILHA MAIS VELHA todos estes anos que vivemos à espera e perdidas, a não fazer nada senão esperar, e nada conseguir obter, nunca, e não ter outro objectivo senão este
Jean-Luc Lagarce, Estava em casa e esperava que a chuva viesse

Fotografia © Jorge Gonçalves

Cinco mulheres e um jovem que, finalmente, regressa a casa das suas guerras e batalhas. Exausto pela estrada e pela vida, dormindo pacificamente ou morrendo, nada mais, volta ao ponto de partida para morrer.
Elas esperavam-no há anos, sempre a mesma história, e nunca pensaram que o voltariam a ver, desesperaram-se por não terem notícias, nenhuma carta, nenhum postal, nenhum sinal que as pudesse tranquilizar ou fazer desistir da espera.
Será que finalmente conseguirão algumas palavras, a vida com que sonharam, alguma verdade?
Lutamos mais uma vez, uma última vez, para partilhar os despojos do amor, arrancar a ternura. Gostaríamos de saber.
Jean-Luc Lagarce, 1994

Cinco mulheres à espera de um homem. Ele regressa, depois de muitos anos, para morrer, talvez. Perda. Luto. Vigília. Desistência. Resistência. Vidas em suspenso. Esperar por alguém. Mas também ter esperança. Memória e construção da memória. Despojos de amor, de ternura, de felicidade, de possibilidades. Querer voltar ao que já amámos. Onde fomos felizes. Contar a mesma história. Perdemo-nos… havemos de nos encontrar?
Li o texto, pela primeira vez, em 2007. E logo uma ligação inexplicável. Logo um ecoar destas palavras no mais íntimo de mim. Texto que me persegue e assombra há 16 anos. Sempre a voltar a ele. Tal como estas cinco mulheres, nesta casa, à espera. A palavra como acção. Lagarce toca, em cada um de nós, alguma coisa que ignoramos, que suspeitamos, que não conseguimos materializar. Teatro do amor e do desejo do amor.

Para o Jorge. Obrigada. Esta mesa está posta.

Andreia Bento