UMA SOLIDÃO DEMASIADO RUIDOSA a partir do romance de Bohumil Hrabal de e Com António Simão Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos M12
No Festival de Almada, no Incrível Almadense de 10 a 12 de Julho de 2020
Nas Caldas da Rainha, no Teatro da Rainha de 16 a 18 de Julho de 2020
No Festival Internacional de Teatro de Setúbal a 23 de Agosto de 2020
No Teatro da Politécnica de 27 de Agosto a 19 de Setembro de 2020
No Teatro Municipal Joaquim Benite de 25 a 27 de Setembro de 2020
No Cacém, no Auditório Municipal António Silva a 3 de Outubro de 2020
Em Aveiro, no GrETUA a 7 de Novembro de 2020
No EmCena, em Santo André, no ESPAM a 13 de Novembro de 2020
Em Santiago do Cacém, no Auditório António Chainho a 14 de Novembro de 2020
Na Póvoa de Varzim, no Cine-Teatro Garrett a 9 de Janeiro de 2021
Na Glória do Ribatejo, no Espaço Jackson, a 25 de Maio de 2025
No Festival de Teatro do Seixal, no Auditório Municipal do Seixal a 16 de Novembro de 2025
“O céu não é humano e o homem que pensa nem sequer pode ser humano.”
Bohumil Hrabal
Criado em 1997, com estreia no CCB, os Artistas Unidos retomam agora, 23 anos depois, um espectáculo criado por António Simão a partir da novela de Bohumil Hrabal, autor maior. Não é uma reposição, é uma revisão da matéria dada.
Em Praga, há uma cave. Brilhante como uma gruta de tesouros. Sombria e suja como um esgoto. Nessa cave há milhares de livros, centenas de ratos, visões passageiras e palavras que tornam o mundo grande. E há um homem, Hanta. Que há 30 anos empurra afectuosamente os livros, os mais belos e mais banais, para a prensa que os tritura e transforma em cubos de papel. Mas Hanta é um “carniceiro terno”. Sabe salvaguardar as palavras guardando-as na memória, para que elas brilhem que nem sóis, e para que esses sóis o ajudem a ver como pode ser a vida de um homem. Por entre a poeira, o suor e o cheiro a cerveja que não pára de beber, Hanta fala-nos. Do mais fundo da sua solidão, ele fala com os seus livros e as suas lembranças, saúda os seus poetas e os seus amores. O obscuro Hanta recusa triturar o esplendor da vida em nome do bom senso, da ordem, da rentabilidade. O magnífico Hanta prefere morrer a aceitar a morte dos sonhos passados: e ele, bêbedo, iluminado, desaparecerá na pura alegria dos seus amores de antes, assassinados, reencontrados. Hrabal afirmou que veio ao mundo apenas para escrever Uma Solidão Demasiado Ruidosa. Ele tem a convicção que escrever este texto era uma necessidade. E era.
Evelyne Pieiller